Os curtas deixam de ocupar brechas da programação para ser a atração principal em Porto Alegre de terça até domingo
Rodado no Maranhão, Sanã, de Marcos Pimentel, é um dos destaques da mostraFoto: Festival Diálogo de Cinema / Divulgação
Marcelo Perrone
marcelo.perrone@zerohora.com.br
Formato que costuma ficar em segundo plano em mostras e festivais de cinema, o curta deixa de ocupar brechas da programação para ser a atração principal em Porto Alegre de terça até domingo.
Em cartaz no CineBancários, a primeira edição do Festival Diálogo de Cinemaapresenta, com entrada franca, um recorte da mais recente safra nacional de curtas, com produções de diferentes propostas e gêneros, muitas delas com passagens premiadas por competições no Brasil e no Exterior.
A programação desta terça tem como destaque o filme convidado para abrir o festival:Dromedário no Asfalto, às 20h, é a estreia em longa de Gilson Vargas, cineasta que trilhou seus primeiros passos no curta. Essa primeira projeção pública do filme tem caráter simbólico, pois Vargas planeja lançá-lo comercialmente apenas em 2014.
Produzido pela Avante Filmes e pela Sofá Verde Filmes, o Festival Diálogo de Cinema recebeu 250 inscrições de 17 estados e do Distrito Federal. A curadoria do evento criou duas mostras competitivas, em exibição a partir de amanhã: a Diálogo, com 20 curtas de nove Estados, e a Cercanias, com 15 produções gaúchas. Sem caráter competitivo, a mostra Reflexos exibirá 15 curtas nacionais realizados entre 2008 e 2012.
O festival também promove debates com os realizadores após cada sessão e, no próximo sábado, o painel O Papel da Crítica na Difusão do Cinema Local. A troca de ideias é providencial para discutir o papel do curta hoje nas mais diferentes plataformas de exibição. Existem opiniões que defendem o curta como formato adequado para uma experimentação cada vez mais incisiva da linguagem cinematográfica.
– Costumo dizer para meus alunos não se colocarem diante da obrigação de contar uma história com um curta – diz Gilson Vargas, que também é professor de cinema.
Mas, destaca Vargas, as propostas não podem ser estanques, já que sempre existirão as narrativas convencionais inventivas e interessantes e as experimentais presunçosas e maçantes. Para ele, também já não tem sentido ver o curta como um elemento de passagem do realizador rumo ao longa.
– Cinema é cinema. Hoje muitos diretores de longa continuam a fazer curtas – destaca Vargas, que ganhou o Concurso Petrobras para produzir seu próximo curta, O Relâmpago e a Febre, em finalização, e está em fase de roteirização do segundo longa A Colmeia, com texto de Diones Camargo.
Entre os 20 curtas da mostra Diálogo, três são gaúchos. Um deles é Os Filmes Estão Vivos (2013), de Fabiano de Souza (que já tem um longa no currículo e prepara o segundo) e Milton do Prado, que ganhou o Prêmio Especial do Júri e o Prêmio da Crítica no Festival de Gramado – o filme, com exibição na quinta-feira, traz uma conversa sobre cinema com o crítico Enéas de Souza, pai de Fabiano. Os outros dois são, no sábado, Davi e os Aviões (2012), primeiro trabalho do diretor Pedro Achilles, realizado no curso de Produção Audiovisual da PUCRS e já exibido em festivais, e Fantasmas da Cidade(2013), de Daniel de Bem, que terá no CineBancários, amanhã, sua primeira sessão.
Entre outros destaques da programação, estão produções premiadas como Colostro (SP),Menino do Cinco (BA), A Navalha do Avô (SP), Sanã (2013), de Marcos Pimentel (MA/MG), e Pátio (PR), vencedor do troféu de melhor curta documental brasileiro no Festival É Tudo Verdade 2013 e selecionado a Semana da Crítica do Festival de Cannes.
A Mostra Diálogo conta com o prêmio de aquisição do canal Prime Box Brazil, no valor R$ 2,5 mil. Confira a grade completa em www.dialogodecinema.com.br .
Menos gaúchos nos festivais
Impera a percepção, entre críticos e realizadores, de que os curtas-metragens gaúchos estão circulando em menor quantidade pelos grandes eventos cinematográficos do Brasil, em comparação com a relevância que a produção local no formato já teve nas últimas décadas. Nunca se produziu tanto, por conta das facilidades da tecnologia digital, e a qualificação técnica dos profissionais, proporcionada pelas faculdades de cinema do Estado é notória.
– O problema não é qualidade das produções. Em meio a tanta produção, tem muita coisa boa. Vejo é uma falta de interesse de alguns bons jovens realizadores em participar de festivais – avalia o cineasta Gilson Vargas.
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