Da Redação
Considerado um dos papas do teatro de bonecos no Brasil, Álvaro Apocalypse, diretor e fundador do grupo mineiro Giramundo, morreu em 2003 deixando um legado preciosíssimo. Nos 33 anos em que esteve à frente da companhia, na qual atuavam ainda sua mulher, Terezinha Veloso, e Madu Vivacqua, o artista plástico foi responsável por quase todo o processo criativo das montagens.
Dez anos após sua morte, essa missão está com a filha, Beatriz Apocalypse. Em parceria com Marcos Malafaia e Ulisses Tavares, ela vem perpetuando a brilhante história da trupe. Na quinta (11), o trio estreia Aventuras de Alice no País das Maravilhas.
O 34º espetáculo no currículo do grupo - o último da trilogia Mundo Moderno, que, neste ano, já levou aos palcos belo-horizontinos as montagens Vinte Mil Léguas Submarinas (de 2007) e Pinocchio (de 2005) - põe em cena um Giramundo de cara nova, com um boneco digital manipulado em tempo real graças à tecnologia motion capture, comum no cinema, mas rara no teatro.
As novidades do grupo não param por aí. Eles estão prestes a tirar do papel o sonho de lançar a própria linha de produtos, com camisetas, CDs e DVDs, e ainda se preparam para reabrir o Museu Giramundo, na Floresta, que foi criado há doze anos e fechado há dois para reforma. “Estamos sacramentando tudo o que aprendemos nesses anos”, afirma Beatriz. “Talvez seja o começo de um novo ciclo”.
Na adaptação do clássico escrito em 1865 pelo inglês Lewis Carroll (1832-1898), 55 bonecos dividem o palco com o ator Beto Militani, que faz as vezes do escritor no papel de narrador da história. Fiel à tradição de incorporar novas linguagens cênicas, a companhia investiu nas tecnologias que valorizam a qualidade do movimento e a presença do marionetista no palco.
Aventuras... dialogam com as artes plásticas, com o vídeo e com a música. “Alice é uma peça que permite essa liberdade”, diz o diretor Malafaia. Foram três longos anos de produção para chegar ao formato que será apresentado no Teatro Bradesco.
Longe do Giramundo desde 1996, a artista plástica Madu Vivacqua foi convencida a voltar para aplicar sua experiência na supervisão dos bastidores. “Quando a convidamos, ela deixou claro que só ia dar alguns pitacos, mas desde o primeiro momento ficou envolvidíssima”, conta Beatriz.
“Não significa que ela retornou definitivamente para o grupo. Acho difícil isso acontecer, mas, enquanto ela estiver voltando, está bom”, brinca. Afora o encantamento natural proporcionado pela arte milenar, conduzida por marionetistas experientes e novatos, a performance ainda é incrementada com participações mais do que especiais.
O elenco reúne, entre outros artistas, o ex-mutante Arnaldo Baptista, que faz a voz do Chapeleiro Maluco, e Fernanda Takai, que dubla a pequena Alice. A cantora, aliás, faz mais do que emprestar o seu inconfundível timbre à protagonista da peça. Ela e seu marido, o músico John Ulhoa, parceiros do Giramundo desde a produção do show Música de Brinquedo, do Pato Fu, assinam as 27 canções da trilha sonora original, que, segundo a dupla, pode acabar virando um CD.
Depois que tiverem passado pelas principais cidades do país, e talvez também do exterior, os bonecos criados para o novo espetáculo poderão ser vistos no Museu Giramundo, que reabrirá suas portas na primeira quinzena de julho graças a uma parceria com a instituição de ensino Fumec.
Eles completarão o acervo de quase 1?300 feitos dos mais diferentes materiais - desde cerâmica, madeira e gesso até acrílico, pano e papel, em diversos formatos, tamanhos e cores.
Inicialmente, a visitação será aberta apenas para escolas. Depois, todo o público poderá conferir os 43 anos da tradição bonequeira, iniciada numa época em que, com exceção do mamulengo nordestino, eram comuns apenas fantoches de luva e bonecos de fio usados para entretenimento infantil.
“O trabalho do Giramundo é muito consistente do ponto de vista estético e da mistura de linguagens”, analisa Fernando Mencarelli, professor do curso de artes cênicas da UFMG. Mola propulsora do teatro de animação no Brasil, o grupo hoje compete em pé de igualdade com concorrentes internacionais como a Cia Phillipe Genty, da França, a Forman Brothers Theatre, da República Checa, e a Tof Theatre, da Bélgica.
“Além de competência técnica, a companhia acumula um acervo único, que é uma verdadeira preciosidade”, resume Lelo Silva, coordenador do Festival Internacional de Bonecos de BH e fundador do grupo Catibrum. De brincadeira de criança, o Giramundo já provou que não tem nada. (Com Veja)
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fonte: http://www.diariodecuiaba.com.br/
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